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Real Gabinete Português de Leitura
comemora 170 anos (1837 - 2007)
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Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
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O Real Gabinete
Português de Leitura, no Rio de Janeiro
(Brasil), completa 170 anos. O prédio,
construído no estilo neomanuelino, foi
inspirado no padrão arquitectónico do
reinado de D. Manuel de Aviz, no século
XVI e disputa com o Copacabana Palace o
título de mais bonito da cidade.
O Real Gabinete abriga um acervo de 350
mil livros, que inclui obras raras como
um dos 11 exemplares preservados da
primeira edição de “Os Lusíadas”.
O Real Gabinete Português de Leitura, no
Rio de Janeiro, foi criado em 14 de Maio
de 1837 por 43 emigrantes portugueses
que estavam sendo perseguidos pela
monarquia em Portugal. O Real Gabinete
foi fundado com o objectivo de ter uma
instituição para instruir e melhorar o
nível de conhecimento dos portugueses
que chegavam ao Brasil. Isso ocorreu
apenas 15 anos depois da independência
política do Brasil.
O título de "real" foi concedido pelo
rei D. Carlos, em 1906. Em 1935, um
decreto do governo português determinou
que a Biblioteca Nacional de Lisboa
recebesse de todos os editores de
Portugal um exemplar das obras por eles
impressas e os destinasse ao Real
Gabinete, no Rio de Janeiro. Esse
decreto vigora até os dias de hoje e é
por causa dele que a instituição
consegue manter seu acervo sempre
actualizado.
Real Gabinete Português de Leitura
http://pt.wikipedia.org/wiki/
O Real Gabinete Português de Leitura,
tradicional biblioteca e instituição
cultural lusófona, localiza-se no centro
da cidade do Rio de Janeiro, no estado
de mesmo nome, no Brasil.
História: A instituição foi fundada em
1837 por um grupo de quarenta e três
imigrantes portugueses, refugiados
políticos, para promover a cultura entre
a comunidade portuguesa na então capital
do Império. Foi a primeira associação
desta comunidade na cidade.
O edifício da actual sede, projectado
pelo arquitecto português Rafael da
Silva e Castro, foi erguido entre 1880 e
1887 em estilo neo-manuelino. Este
estilo arquitectónico evoca o exuberante
estilo gótico-renascentista vigente à
época dos Descobrimentos portugueses,
denominado como manuelino em Portugal
por haver coincidido com o reinado de D.
Manuel I (1491-1521).
O Imperador D. Pedro II (1840-1889)
lançou a pedra fundamental do edifício
em 10 de Junho de 1880, e sua filha, a
Princesa Isabel, junto com seu marido, o
Conde D’Eu, inauguraram-no em 10 de
Setembro de 1887.
A fachada, inspirada no Mosteiro dos
Jerónimos de Lisboa, foi trabalhada por
Germano José Salle em pedra de Lioz em
Lisboa e trazida de navio para o Rio. As
quatro estátuas que a adornam retratam o
Infante D. Henrique, Luís de Camões,
Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama, e
os medalhões, os escritores Fernão
Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano
e Almeida Garrett.
O interior também segue o estilo
neo-manuelino nas portadas, estantes de
madeira para os livros e monumentos
comemorativos. O teto do Salão de
Leitura tem um belo candelabro e uma
clarabóia em estrutura de ferro, o
primeiro exemplar desse tipo de
arquitectura no Brasil. O salão possui
também um belíssimo monumento de prata,
marfim e mármore (o Altar da Pátria), de
1,7 metro de altura, que celebra a época
dos descobrimentos, realizado na Casa
Reis & Filhos no Porto pelo ourives
António Maria Ribeiro, e adquirido em
1923 pelo Real Gabinete.
Aberta ao público desde 1900, a
biblioteca do Real Gabinete possui a
maior colecção de obras portuguesas fora
de Portugal. Entre os cerca de 350.000
volumes, nacionais e estrangeiros,
encontram-se obras raras como uma
primeira edição de Os Lusíadas de Camões
(1572), as Ordenações de D. Manuel
(1521), um manuscrito da comédia "Tu, só
tu, puro amor" de Machado de Assis, e
muitas outras. Anualmente, recebe cerca
de seis mil títulos de Portugal.
Diariamente, recebe em média, cento e
cinquenta visitantes. Entre os seus
visitantes ilustre, do passado,
encontram-se os nomes de Machado de
Assis, Olavo Bilac e João do Rio.
O Real Gabinete edita a revista
Convergência Lusíada (semestral) e
promove cursos sobre Literatura, Língua
Portuguesa, História, Antropologia e
Artes, destinados principalmente a
estudantes universitários.
A história da Academia Brasileira de
Letras está ligada à do Real Gabinete,
uma vez que as cinco primeiras sessões
solenes da Academia, sob a presidência
de Machado de Assis, foram aqui
realizadas.
O prédio histórico foi utilizado como
locação para filmes, novelas e especiais
de televisão como:
O Xangô de Baker Street ; O Primo
Basílio ; Os Maias ; Mad Maria.
O Real Gabinete localiza-se na Rua Luís
de Camões, 30, no centro do Rio. O
edifício encontra-se tombado pelo
Instituto do Património Estadual.
Catedral da
Cultura Portuguesa
A. Gomes da Costa
http://www.realgabinete.com.br/index.htm
Pelo seu prestígio nos meios
intelectuais, pela beleza arquitetônica
do edifício da sua sede, pela
importância do acervo bibliográfico e
ainda pelas atividades que desenvolve, o
Real Gabinete Português de Leitura é, a
todos os títulos, uma instituição
notável e que muito dignifica Portugal
no Brasil.
Em 14 de Maio de 1837, um grupo de 43
emigrantes portugueses do Rio de Janeiro
- e deve-se sublinhar que isto ocorre
somente 15 anos depois da Independência
do país - reuniu-se na casa do Dr.
António José Coelho Lousada, na antiga
rua Direita (hoje rua Primeiro de
Março), nº 20, e resolveu criar uma
biblioteca para ampliar os conhecimentos
de seus sócios e dar oportunidade aos
portugueses residentes na então capital
do Império de ilustrar o seu espírito.
Entre esses homens, cuja maioria era
composta de comerciantes da praça,
estavam alguns que haviam sido
perseguidos em Portugal pelo absolutismo
e que tinham emigrado para o Brasil. Era
o caso de José Marcelino Rocha Cabral,
advogado e jornalista, que iria ser
eleito primeiro presidente da
instituição.
É possível que ao se preocuparem com o
nível de instrução de seus compatriotas
e ao quererem incutir em muitos o gosto
pela leitura, os fundadores do
“Gabinete” tenham sido inspirados pelo
exemplo vindo da França, onde, logo
seguir à revolução de 1789, começaram a
aparecer as chamadas “boutiques à lire”,
que nada mais eram do que lojas onde se
emprestavam livros, por prazo certo,
mediante o pagamento de uma determinada
quantia.
Os “gabinetes de leitura” criados no
Brasil pelos portugueses - o do Rio de
Janeiro foi o primeiro, mas mais tarde
virão os do Recife (em 1850) e o de
Salvador (em 1863) - diferenciam-se,
entretanto, daqueles estabelecimentos
franceses por uma característica: é que
neles não se fazia qualquer pagamento
pelo empréstimo do livro. O sócio, ou o
leitor, consultava-o na biblioteca ou
levava-o para casa, sem que isso
implicasse, para ele, em qualquer
encargo.
Seguindo o exemplo dos “gabinetes de
leitura” de raiz portuguesa e ainda na
segunda metade do século XIX, surgiram,
impulsionados pela maçonaria e pela
república positivista, em várias cidades
do interior do Estado de São Paulo,
instituições semelhantes que também eram
denominadas “gabinetes de leitura” e que
foram transformadas depois em
bibliotecas municipais.
Voltemos, entretanto, à sinopse
histórica do Gabinete Português de
Leitura do Rio de Janeiro. Logo nos
primeiros anos após a sua fundação as
diretorias passaram a adquirir milhares
de obras, algumas raras, dos séculos XVI
e XVII - e entre elas podemos mencionar
um exemplar da edição “prínceps” de Os
Lusíadas, que pertenceu à Companhia de
Jesus de Setúbal; as Ordenações de D.
Manuel, de Jacob Cromberger, editadas em
1521, e os Capitolos de Cortes e Leys
que sobre alguns delles fizeram,
publicadas em 1539. O certo é que a
ampliação da biblioteca obrigou à
mudança da sede por várias vezes: da
casa da rua de 5. Pedro, nº 83, foi para
a rua da Quitanda nº 55 e desta, em
1850, para a rua dos Beneditinos nº 2.
Para se ter uma idéia do crescimento do
acervo bibliográfico basta mencionar que
em 1872 a biblioteca já possuía 20.471
obras (ou 44.917 volumes).
É por essa altura que os dirigentes
começam a pensar em construir uma sede
de maiores dimensões e condizente com a
importância da instituição. Para esse
fim, é adquirido um terreno na antiga
rua da Lampadosa. E as comemorações do
tricentenário da morte de Camões (1880)
vão ser o grande pretexto para motivar a
“colônia” portuguesa e levar adiante o
projeto. Portugal atravessava crises
medonhas: eram os déficits da Corte e a
ameaça das grandes potências às colônias
da África; eram as mazelas de uma
sociedade que não reagia às críticas e
farpas dos “vencidos da vida”; eram os
“escândalos do tabaco” e as lutas dos
partidos; eram os “cortejos do bacalhau”
na “baixa” lisboeta para depreciar a
Epopéia quinhentista; era a falta de
interesse pelas idéias novas que vinham
da Europa, a apatia do zé-povinho
retratado nas caricaturas mordazes de
Bordalo Pinheiro.
Uma plêiade de portugueses do Rio de
Janeiro, de sólida formação intelectual
e de grande prestígio, como Eduardo
Rodrigues Cardoso Lemos, José Vasco
Ramalho Ortigão, Visconde de Morais e
outros, resolve fazer da participação da
“colônia” nas celebrações camonianas um
contraponto às disputas e à mesquinhez
de além-mar. Se em Portugal muitos
procuravam ofuscar, no meio da dormência
do país, a saga dos Descobrimentos e
esquecer o poeta, no Brasil fazia-se o
contrário: o “Gabinete” encomendava à
casa Biel, no Porto, uma edição rica e
ilustrada d’Os Lusíadas; mandavam-se
cunhar medalhas; organizavam-se
concertos com o maestro brasileiro Artur
Napoleão e em 10 de Junho de 1880, com a
presença do imperador D. Pedro II, do
ministro do Império Barão Homem de Mello
e do Presidente da Câmara Municipal Dr.
Adolfo Bezerra de Menezes, é lançada a
primeira pedra para a construção da nova
sede do Gabinete Português de Leitura no
terreno da rua da Lampadosa que tinha
sido adquirido para esse fim.
O projeto escolhido foi o do arquiteto
português Rafael da Silva Castro, com
seu traço neomanuelino a evocar a
epopéia camoniana.
O edifício, em pedra de lioz, com
estátuas de Vasco da Gama, Pedro Álvares
Cabral, do Infante D. Henrique e de Luís
de Camões sobre as mísulas da fachada,
foi inaugurado em 10 de Setembro de
1887, com a presença da Princesa Isabel
e do Conde D’Eu. Os trabalhos de
construção tinham sido dirigidos pelo
arquiteto Frederico José Branco e as
pinturas e decorações em relevo
estiveram a cargo do artista Frederico
Steckel.
Ramalho Ortigão, convidado para ser o
orador oficial da solenidade, pronunciou
então um discurso notável. A certa
altura disse: "No dia em que tiver caído
para o domínio intelectual do mundo a
preponderância européia - porque não há
preponderâncias eternas e o movimento da
civilização está destinado a oscilar
como o movimento dos mares e a
configuração dos continentes entre os
dois hemisférios da terra - quando por
meio dessa evolução se tenha deslocado a
importância do domínio geográfico das
linhas atuais, se esta casa existir
ainda, ela mostrará aos nossos netos que
homens de trabalho, alheios à intriga
política do país e ao litígio do poder,
ausentes de sua pátria, em um país
remoto, previram na missão de sua raça o
alcance da ciência e o alcance da arte,
a qual, tendo por fim ressalvar os
interesses da inteligência fazendo-os
preponderar aos interesses da cobiça, da
ambição e do egoísmo humano, é a origem
da moral positiva assim como é a base do
bom senso e o sustentáculo da
moderação...”. E mais adiante o escritor
arrematou o seu discurso: "E se um dia o
nome de Portugal houver de desaparecer
da carta política da Europa, esta Casa
será ainda como a expressão monumental
do cumprimento da profecia posta por
Garrett na boca de Camões: ... não se
acabe a Língua, o nome português na
terra”.
No ano seguinte, já extinta a escravidão
e com o regresso de D. Pedro II da
Europa, é instalada, no dia 22 de
Dezembro, a biblioteca do Gabinete
Português de Leitura e entregue ao
Imperador o diploma de Presidente
Honorário. E é nessa oportunidade que
outro escritor célebre, desta feita
brasileiro, Joaquim Nabuco, também
proferiu uma oração admirável em louvor
dos portugueses no Brasil. E depois de
dizer que Portugal, para ele, “tinha
sete maravilhas como nenhuma outra nação
possui e eu falo só do que vi: Os
Lusíadas, a entrada do Tejo, a Torre de
Belém, os Jerônimos, Sintra, o Vinho do
Porto e a colônia portuguesa do Brasil”.
Para mais adiante afirmar:
“Deliberadamente vós, portugueses,
construístes uma biblioteca, a mais
grandiosa das edificações desse gênero
na América, e a levantastes sob o duplo
padroado de Luís de Camões e do Infante
D. Henrique. A alma deste edifício é
assim, antes de tudo, a própria alma
nacional. Estas pedras são estrofes d’Os
Lusíadas. Elas deveriam ser condecoradas
pela História com a Ordem de Aviz”.
Em 1900 o Gabinete Português de Leitura
transforma-se em biblioteca pública -
qualquer um do povo pode ter acesso aos
livros da sua biblioteca. E logo depois
Benjamin Franklin de Ramiz Galvão, um
dos mais ilustres intelectuais
brasileiros, é convidado pelo Presidente
da instituição, Ernesto Cibrão, para
organizar um novo catálogo do acervo
bibliográfico, tarefa que vai terminar
em 1906. É precisamente nesse ano que o
rei D. Carlos atribui o título de “Real”
ao Gabinete e tem lugar, no Salão dos
Brasões, uma grande exposição de
pinturas de José Malhôa, a cuja
inauguração comparece o Presidente
Rodrigues Alves. No primeiro dia da
exposição, dos 125 quadros apresentados
foram vendidos 26, sendo que um deles,
denominado “O sonho do Infante”, foi
adquirido para ficar no Real Gabinete.
Na mesma exposição figuram ainda
retratos do rei e da rainha D. Amélia,
encomendados ao pintor pela diretoria da
Real e Benemérita Sociedade Portuguesa
Casa de Socorros D. Pedro V, e que até
hoje se encontram em sua sede.
Logo a seguir é instalada a Comissão
encarregada da recepção a D. Carlos, que
foi afinal frustrada pelo regicídio.
Dela faziam parte figuras eminentes da
colônia, como o Conde de Avelar, o
Visconde de São João da Madeira, o
Visconde de Morais, o Visconde de Agarez
e tantos outros que ao longo da segunda
metade do século XIX não se cansaram de
prestar serviços ao país de origem e de
ajudar as associações portuguesas no
Brasil. Muitos, por exemplo, como foi o
caso do Com. José Moraes d’Abreu Júnior,
de Domingos de Moura e Castro ou de Rita
de Barros Ramalho Ortigão, abriram mão
de créditos que tinham concedido ao
Gabinete, quando da construção de sua
sede, e que não eram de pequeno
montante. Pois era curioso ouvir as
queixas que já se faziam naquela época,
em pleno crepúsculo da monarquia, a
respeito da indiferença dos governos e
do seu interesse em aproveitar-se da
colônia portuguesa do Brasil: “Nem a
colônia portuguesa no Brasil tem
escapado a essa tempestade assoladora, a
esse tufão mal intencionado,
contristador de quem o contempla isento
de paixões e estranho a esse desenrolar
de pequeninas misérias sociais”,
dizia-se no “Livro de Ouro” daquela
época.
E a seguir fazia-se uma referência ao
que o país devia aos portugueses do
Brasil. Nas cidades, os melhores
palácios a quem pertencem? Quem mandou
construir casas e pagar benfeitorias? A
quem pertencem os estabelecimentos
fabris? Quem manda abrir e reformar os
caminhos nas províncias? Quem paga os
melhoramentos das igrejas, os paramentos
e as alfaias? Quem manda construir
asilos, hospitais e escolas? Quem
subscreve as ações dos caminhos de
ferro? Quem acode às necessidades do
Estado e compra metade dos títulos da
dívida pública em circulação? Quem?
Os portugueses do Brasil. Por isso,
concluía o autor do desabafo:
“magoou-nos profundamente a avalanche de
ingratidão com que se procurou
amesquinhar o valor desses compatriotas
queridos..."
Registradas as mágoas e ressentimentos
da colônia, em parte devidas aos
confrontos que na época dividiam o país
provocados pela campanha crescente do
Partido Republicano e as convulsões da
Monarquia, o Real Gabinete abre na
década de 20 uma nova fase de sua
existência. E dois homens se destacam
nesse período: um, Carlos Malheiro Dias,
com seu labor intelectual, as suas
pesquisas históricas, a sua influência
na formulação de uma estrutura em que se
vai manter o universo associativo de
origem portuguesa no Brasil e que irá
resultar na criação da Federação das
Associações Portuguesas em 931; o outro,
Albino Sousa Cruz que, tendo vendido aos
ingleses a fábrica de cigarros, passa a
dedicar-se inteiramente e a ser o grande
mecenas da instituição.
Para as comemorações do lº centenário da
Independência é constituída no Real
Gabinete uma empresa com a finalidade de
editar, em fascículos, a monumental
História da Colonização Portuguesa do
Brasil, sob a direção literária de
Carlos Malheiro Dias, a direção
artística de Roque Gameiro e
cartográfica do Conselheiro Ernesto de
Vasconcelos.
Da obra irão colaborar as figuras mais
eminentes dos dois países nas artes, nas
ciências e na literatura, de Luciano
Pereira da Silva a Duarte Leite, de
Júlio Dantas a Oliveira Lima, de Paulo
Merea a Pedro Azevedo, de António Baião
a Jaime Cortesão, de H. Lopes de
Mendonça a E. M. Esteves Pereira, sem
citarmos, evidentemente, o coordenador,
o mais importante de todos - Carlos
Malheiro Dias.
A História da Colonização Portuguesa foi
editada pela Litografia Nacional do
Porto, em fascículos, e estes chegaram a
atingir cerca de 20.000, com 12.000
distribuídos no Brasil e 8.000 em
Portugal - um número impressionante para
a época.
Em 1931 é realizado no Real Gabinete o
1º Congresso dos Portugueses do Brasil,
quando se procura evitar, com a criação
da Federação das Associações
Portuguesas, as divisões no meio
associativo e imprimir uma certa unidade
aos movimentos da colônia. Seu primeiro
presidente vai ser Carlos Malheiro Dias,
e mais 80 associações de todo o Brasil
ficam integradas no organismo federativo
que passa, por tácito consenso, a ser o
porta-voz das aspirações e anseios
coletivos.
Como decorrência do 1º Congresso dos
Portugueses do Brasil passa a
comemorar-se na sede do Real Gabinete,
todos os anos, o “Dia de Portugal”,
promovido pela Federação das Associações
Portuguesas e Luso-Brasileiras. A
solenidade, para além de outras
liturgias, conta com a presença de
oradores ilustres, portugueses e
brasileiros convidados para a saudação
cívica. Vale a pena registrar a lista
desses convidados ao correr dos anos
(veja a relação).
Em 15 de Março de 1935, pelo decreto nº
25.134, o governo português concede ao
Real Gabinete o benefício de receber de
todos os editores portugueses um
exemplar das obras por eles impressas.
Esse estatuto permite uma atualização
permanente da biblioteca em termos do
que se edita em Portugal.
Nos anos 40 cria-se o Instituto de Alta
Cultura com o objetivo de desenvolver o
intercâmbio cultural entre os dois
países.
A década seguinte é de grandes
dificuldades financeiras para a
instituição. Os mecenas tinham
desaparecido e os legados e codicilos ao
longo do tempo privilegiaram sempre as
instituições assistenciais e religiosas
- as Beneficências e as Caixas de
Socorros Mútuas, as Casas de Portugal e
as Obras de Assistência, as Irmandades e
as Santas Casas. Os “Gabinetes de
Leitura”, os “Grêmios” ou os “Liceus”,
esses nunca foram lembrados pela maioria
dos benfeitores. Apoiado no mecenato de
Albino de Sousa Cruz e de mais alguns -
Sousa Baptista, Conde Dias Garcia,
Visconde de Morais, Garcia Saraiva, etc.
-, a entidade, com o desaparecimento
dessa geração, ficou em extrema penúria.
As suas despesas eram rateadas pelas
diretorias e só muito depois o governo
português, durante alguns anos, no
antigo regime, concedeu um subsídio de
cerca de 50 contos de reis para amenizar
a crise que ameaçava a instituição.
Foi preciso mudar a sistemática anterior
em vários sentidos: primeiro, para dar
mais dinamismo às suas atividades,
criou-se em 1969, na gestão do
Presidente António Pedro Martins
Rodrigues, o “Centro de Estudos”, onde
passaram a ser ministrados
sistematicamente cursos e conferências a
cargo de professores universitários. O
primeiro curso foi ministrado pelo Prof.
Robert Chester Smith, da Universidade da
Pensilvânia, sobre “Aspectos da Arte
Portuguesa do século XVIII”. E o
primeiro diretor do Centro foi António
Gomes da Costa. Depois fizeram-se as
campanhas financeiras para resgatar o
Real Gabinete da situação de penúria e
dar-lhe meios para subsistir. Nos anos
mais recentes o seu quadro social, antes
constituído só de portugueses, passou a
receber cidadãos de outros países de
língua portuguesa e, a esta altura,
várias empresas brasileiras - como por
exemplo o Banco Itaú que financiou todo
o processo de informatização da
biblioteca - já contribuem para o
desenvolvimento do Real Gabinete, a
formação do centro de multimídia
cultural, o restauro do edifício, etc
(veja relação). Nesse capítulo, justo é
destacar a extraordinária ajuda recebida
ao longo dos últimos anos da Fundação
Calouste Gulbenkian, que, inclusive, deu
os recursos necessários à aquisição e às
obras do prédio contíguo ao Real
Gabinete onde está instalado o centro de
multimídia. Mas também o Ministério dos
Negócios Estrangeiros de Portugal tem
concedido uma permanente ajuda desde
que, tanto no governo de Cavaco Silva
como no de António Guterres, se
reconheceu a importância da instituição
para a difração da cultura portuguesa no
Brasil. Outras entidades - da Biblioteca
Nacional ao Instituto Camões, de
empresas portuguesas aos donativos da
comunidade, da Real Caixa de Socorros D.
Pedro V ao Liceu Literário Português -
têm vindo a permitir ao Real Gabinete
desenvolver, de ano para ano, atividades
crescentes desde a edição semestral da
revista Convergência Lusíada,
distribuída gratuitamente por centenas
de instituições culturais e
Universidades de todo o mundo, até à
recuperação de obras raras danificadas
pelo tempo.
O Real Gabinete Português de Leitura
possui a maior e a mais valiosa
biblioteca de obras de autores
portugueses fora de Portugal.
O seu acervo, inteiramente
informatizado, é da ordem de 350.000
volumes.
A biblioteca recebe de Portugal, pelo
estatuto do "depósito legal", um
exemplar das obras publicadas no país.
Além de Macau, agora sob a soberania da
República Popular da China, e que até há
pouco tempo também era beneficiada com o
"depósito legal", o Real Gabinete é a
única instituição, fora do território
português, que mantém aquele privilégio.
Alguns espécimes de obras raras ou
manuscritos, poderão ser consultados por
investigadores e especialistas com
autorização especial.
A consulta é franqueada aos leitores no
salão da biblioteca, com o auxílio das
bibliotecárias.
Os sócios do Real Gabinete, que estão em
dia com a contribuição mensal, podem
levar até 2 livros como empréstimo a
domicílio, pelo prazo máximo de 15 dias,
desde que se trate de edições
posteriores a 1950.
O Centro de Estudos do Real Gabinete
Português de Leitura tem como finalidade
precípua a realização de cursos,
conferências, palestras, congressos etc,
bem como promover o intercâmbio e a
colaboração com universidades e
institutos culturais e artísticos do
país e do exterior.
Criado em 1969, na presidência de
António Saldanha de Vasconcellos, mas
tornado realidade por António Pedro
Martins Rodrigues, o seu primeiro
Diretor foi Antonio Gomes da Costa e seu
principal dinamizador Francisco da Gama
Lima. Contou sempre, em seus quadros de
colaboradores, com um conjunto de
professores universitários, nas áreas de
Literatura, História, Antropologia,
Sociologia, Artes, etc.
No seu âmbito funciona o Pólo de
Pesquisa de Relações Luso-Brasileiras
criado pela Profª Gilda Santos, que
reúne cerca de 30 professores e
especialistas, que estão subdivididos
nos seguintes núcleos temáticos:
• Cultura e Sociedade
• Manuscritos e Autógrafos
• Publicações e Leituras
• A Literatura Portuguesa no Brasil
O Pólo de Pesquisa sobre Relações
Luso-brasileiras (PPRLB) é constituído
por professores e pesquisadores de
várias áreas do conhecimento, empenhados
em aprofundar e dar visibilidade aos
estudos que contemplam relações
luso-brasileiras
Encontra-se vinculado ao Centro de
Estudos do Real Gabinete Português de
Leitura do Rio de Janeiro e sediado nas
dependências desta instituição cultural
fundada em 14 de maio de 1837, que tem
em seu património uma das mais
importantes e belas bibliotecas
brasileiras.
O PPRLB tem por objetivos:
a) propiciar aos pesquisadores, e
estudiosos cm geral, das relações
luso-brasileiras condições de permanente
aprofundamento em suas áreas de
interesse, que, no âmbito do PPRLB
estarão agrupados em Núcleos de temática
afim;
"Cultura e Sociedade"
(coordenado pela Profa. Madalena Vaz
Pinto, PUC-Rio),
"Manuscritos e Autógrafos"
(coordenado pela Profa. Doutora Sheila
Moura Hue, UFRJ ),
"Publicações e Leituras"
(coordenado pela Profa. Doutora Tânia
Bessone )
"A Literatura Portuguesa no Brasil"
(coordenado pela Profa. Doutora Ida
Maria Ferreira Alves, UFF).
b) incentivar condições de diálogo e
intercâmbio entre os participantes do
PPRLB e os vários Núcleos que integrem;
c) promover cursos, eventos e
publicações sobre aspectos das relações
luso-brasileiras;
d) articular-se com diferentes
organismos, no plano nacional ou
internacional, visando a que suas
promoções alcancem a desejável
visibilidade na busca de divulgar
amplamente os estudos sobre relações
luso-brasileiras;
O corpo de participantes do PPRLB é
ilimitado e acolherá pesquisadores,
professores, alunos e estudiosos em
geral, vinculados ou não a instituições
académicas, que compartilhem de seus
propósitos e desejem colaborar na
difusão dos estudos voltados para as
relações luso-brasileiras.
Coordenação geral:
Profa. Dra. Gilda Santos (UFRJ)
E-mail: gilda.santos@globo.com
Ao entrar no vestíbulo do edifício do
Real Gabinete, o visitante tem
oportunidade de verificar que o seu
interior nada fica a dever à majestade
de seu exterior, destacando-se, desde
logo, diversas obras de arte, como os
bustos em mármore de Eduardo Lemos e de
Joaquim da Costa Ramalho Ortigão, e em
bronze, do Conde Dias Garcia, de Ricardo
Severo e do Rei D. Carlos I, de
Portugal.
Diversas outras obras ornamentam os
armários de madeira trabalhada da
instituição, como a lindíssima maquete
do monumento a Pedro Álvares Cabral,
doada ao Gabinete pelo seu autor, Mestre
Rodolpho Bernardelli, e pequenos bustos
de “D. Manuel I”, do escultor Simões da
Silva, de “Eça de Queirós”, com a
indicação apenas da fundição – Cavina, o
de “Ramalho Ortigão”, numa bela
terracota do Mestre Teixeira Lopes, o de
“Herculano”, sem assinatura e,
finalmente o do “Padre Manuel da
Nóbrega”, de J. Mello Pimenta.
Na escadaria, em seu primeiro lanço,
encontra-se o “Relicário da Saudade”,
homenagem póstuma a Sacadura Cabral, o
realizador com o Almirante Gago
Coutinho, da primeira travessia aérea
Lisboa-Rio. Contém páginas em pergaminho
com os autógrafos de Pio XII, D. Manuel
II, de Portugal, D. Afonso XIII, de
Espanha, do Rei Alberto I, da Bélgica,
assinaturas de muitas outras altas
personalidades, inclusive as sentidas
palavras do próprio Gago Coutinho a
referir-se “ao seu camarada Sacadura
Cabral, morto no acidente com o seu
avião Fokker”, de cujos destroços ali
figura um pedaço envolto em cartão de
ouro. Na mesma escadaria encontram-se
ainda o busto do Conselheiro J. O. Sá
Camelo Lampreia, antigo Ministro de
Portugal no Brasil, um artístico
candeeiro em ferro trabalhado, os bustos
de Gago Coutinho e do escritor e
jornalista Paulo Barreto (João do Rio).
Ao nível do andar superior vê-se o busto
do Benemérito Albino de Souza Cruz, o
primoroso trabalho de ourivesaria
portuguesa, a dominar todo o átrio, que
é o “Altar da Pátria”, bem como uma
placa oval de prata portuguesa, do mesmo
ourives, dos quais passamos a dar uma
descrição mais pormenorizada.
ALTAR DA PÁTRIA
Obra de ourivesaria e escultura de
grande significação e importância, esta
obra de arte é única e de valor
incalculável, na opinião dos entendidos,
tendo em vista que não se encontraria
quem produzisse outra semelhante.
Medindo 1,70 m de altura, a alegoria
assinala os fatos principais da epopéia
lusitana, desde as suas primeiras
conquistas marítimas. Da sua base em
mármore negro, formando belo contraste
com a prata de que é feito, apontam para
os quatro pontos cardeais outras tantas
naves, PARA BUSCAR DO MUNDO NOVAS
PARTES, como indicando que nenhum ponto
do globo habitado foi estranho aos
audazes navegadores. Em plano mais
elevado, em faces opostas, rodeados de
Nereidas e de Tritões, assistem Vênus e
Netuno à partida dessas caravelas, tendo
a seus pés o oceano revolto, onde se
banham outras divindades do mar. Todas
estas figuras são talhadas em marfim, o
que as torna mais suaves em relação ao
metal. Essa evocação simbólica foi
inspirada nos “Lusíadas”, donde se lê,
em cada uma das flâmulas que flutuam nos
mastros das naves, um verso do poema. O
centro é formado por espessa coluna de
minúsculos relevos, em volta da qual se
destacam, em prata e marfim, os vultos
dos quatro principais criadores das
glórias lusitanas: o INFANTE D.
HENRIQUE, VASCO DA GAMA, PEDRO ÁLVARES
CABRAL e LUÍS DE CAMÕES. No cimo da
coluna, sobre os motivos ornamentais,
duas figuras simbólicas representam os
dois rios do Oriente, perlustrados pelos
portugueses: o INDO e o GANGES.
Arremata-a a imagem da Fé, alçando para
o infinito a Cruz e eterna, que guiou
sempre o espírito do grande povo
português, através de triunfos e
vicissitudes, e o protegeu nos seus
admiráveis arrojos. Executada em prata e
marfim, na Casa Reis & Filhos no Porto
pelo ourives Antonio Maria Ribeiro. Fez
parte do Pavilhão Português da Feira de
Amostras, Exposição do Rio de Janeiro em
1922, por ocasião do Centenário da
Independência do Brasil. Após a
exposição, em 1923, a Colônia Portuguesa
no Rio de Janeiro a adquiriu e ofereceu
ao Real Gabinete.
PLACA OVAL
Placa Oval de prata portuguesa e marfim,
repuxada e cinzelada, em homenagem a
Luís de Camões, tendo ao centro cena
mitológica representando os deuses do
Olimpo, à esquerda, o poeta sendo
coroado com louvores e, à direita,
Ondinas e Tritões; ao alto, o retrato do
poeta; aparecem os ventos de Áquila e
Boreas, navios e em listéis versos dos
Lusíadas. Contraste do Porto, marca e
assinatura do ourives Antonio Maria
Ribeiro. Acondicionada em estojo de
nogueira, forrado de tecido, tampo de
cristal bizotado, fechos de prata com o
mesmo contraste e marca. Fez parte do
Pavilhão Português da Feira de Amostras,
Exposição do Rio de Janeiro em 1922, por
ocasião do Centenário da Independência
do Brasil. Cavalete em mogno, estilo
Renascença.
No grande Salão de Leitura ganha
destaque uma curiosa estante de madeira
e cristal, cujas proporções se fazem
notar, e onde está guardado o “Livro de
Ouro”, de homenagem ao presidente
Eduardo de Lemos, que os portugueses do
Brasil preparavam para lhe oferecer por
ocasião de seu regresso ao Rio de
Janeiro, da viagem em que a morte o
surpreendeu em Portugal no dia 14 de
outubro de 1884. Trata-se de um álbum
com variado e preciosíssimo repositório
de manifestações de figuras ilustres da
vida intelectual, artística e política
do Brasil, bem como de grande número de
instituições, que forma um volume com a
grossura de 6 cm, em encadernação de
luxo de Garzaro, Paris.
Fonte: “Fundamentos e Actualidade do
Real Gabinete Português de Leitura”.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

FORMATAÇÃO E ARTE: IARA MELO